quarta-feira, 3 de outubro de 2012

1João 3.2 – Semelhantes a Ele

Depois que reconhecemos Deus como nosso Pai, mudamos nossas vidas e, assim, toda atividade ou todo pensamento, é realizado apenas com um fim: o de glorificarmos o nosso Pai, como diz o versículo: "mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor..." (Jr 9.24a). Logo, já não há mais sentido buscarmos nossos próprios interesses... Nosso anseio é realizar, em todas as atividades – sejam elas rotineiras ou não, a vontade de Deus! Porque estamos esperando ansiosamente por aquilo que ainda não se manifestou, a saber a renovação perfeita do nosso corpo e do nosso espírito.

E ainda que a Bíblia revele discretamente apenas alguns detalhes a respeito de como será nossa existência depois da vinda de Cristo, nossa mente, por vezes, tenta imaginar esse momento. O versículo nos revela que, depois da redenção, não seremos iguais a Deus, mas seremos semelhantes a Ele. O que nos faz lembrar da passagem que descreve a criação do homem à imagem e semelhança de Deus: "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança... Mas só podemos chegar até aí. O que passar disso é especulação, ou alegoria.

Muitos artistas tentaram representar aquilo que a Bíblia não detalhou. Escritores como John Milton, Dante Aliguiere, William Blake, etc. Ou, mesmo, pintores como Caravaggio, Rembrandt, Gustave Doré, entre outros.

Ilustração de Gustave Doré

"Do porte seu também logo exalaram
O espírito de amor, graças, deleites
Que em toda a Natureza se esparziam.
Nisto ela foge e me deixou em trevas:
De repente acordei na ânsia de achá-la
Ou de carpir sem causa a perda sua,
Abjurando prazer que não fosse ela.
No entanto, quando menos a esperava,
Não longe a vi, tal como a vira em sonhos
Adornada de quanto o Céu e a Terra
Para fazê-la amável possuíam.
Ei-la que vem: condu-la o Autor celeste,
Guiando-a com sua voz, porém não visto:
Dos ritos conjugais vem informada,
Da santidade e candidez das núpcias:
Nos olhos traz o Céu, no andar as graças,
O amor e o brio nas maneiras todas.
Em tantas perfeições eu enlevado,
A erguer assim a voz fui compelido:
— “Ela volta!... Dissipa-se o meu susto!"

(Jonh Milton - Paraíso Perdido, canto IX)